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Kart Cross é muito legal, se você já experimentou o kart indoor e gostou, então vai delirar quando correr numa pista de terra. A velocidade, a adrenalina e o circuito são bem maiores e o carro é totalmente seguro. Para quem vem do asfalto, a sensação é basicamente de estar pilotando na chuva, pouca aderência e muita técnica envolvida!

Maurício Delalíbera, mecânico de profissão e chefe de equipe de Autocross na década de 1980 é um dos precursores do Kart Cross no Brasil. Natural de Jandaia do Sul – Paraná construiu o seu primeiro kart Cross ano de 1985 com um motor de uma motocicleta Yamaha 125cc de 2 cilindros, esse brinquedo era levado nas corridas de autocross literalmente para brincar na pista nos intervalos de pista livre e finais de tarde. O primeiro foi vendido para um amigo em uma corrida de Autocross na cidade de Piracicaba-SP.

Na época outras pessoas envolvidas no Autocross acabaram fabricando outros similares entre eles  o Engenheiro Agrônomo Luiz Eduardo Muniz e o Engenheiro Mecânico Chico Crivelari de Piracicaba – SP se basearam numa  revista americana sobre kart Cross e resolveram construir um modelo para levantar poeira na terra, com base nas fotos da revista e alguns modelos que já estavam rodando construíram seu bólido usando os equipamentos que tinham na mão, como motor de moto, pneu de scooter Vespa, amortecedor de carro, mola de moto etc.

A produção em série do Delalíbera com gaiolas iguais em 1993, antes as gaiolas não tinham um padrão, com motores da Yamaha RD 135 e também os DT 180 mas a categoria ainda não era bem definida quanto ao regulamento de motor. A partir de 1996 começamos a definição de um regulamento de motores incluindo o que já existia e separamos em duas categorias 135 e 200 cilindradas. Foi nessa época também que seu filho Leandro Delalíbera assumiu a produção e manutenção dos “carrinhos”. Isso foi um divisor de águas para a categoria pois os motores 200 cc eram refrigerados a água proporcionando colocar o motor na traseira do chassi, mas o regulamento permitia somente motor lateral. Somente em 2002 surgiram mais carros assim e podemos desenvolver o chassi que estamos usando hoje, e em 2004 acabou surgindo uma categoria de motores 4 tempos Honda de 200cc. A categoria de 4 tempos foi mais uma boa fase do Kart Cross, pois os motores não tinham problemas mecânicos como os dois tempos e diminuiu os custos e mão de obra da categoria. Hoje o motor utilizado é de 250 cilindradas e duplo comando de válvulas da Honda cbx 250 twister.

Delalíbera comenta que alguns fabricantes do estado de São Paulo foram muito importantes para a inclusão do kart com motor central na categoria, principalmente o Loly, que fez um kart com motor traseiro central e ficou muito tempo para poder usá-lo, após muito trabalho junto a CBA para poder mudar o regulamento de construção do chassi.

Hoje a categoria está em alta no Brasil, com campeonatos estruturados no Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia e Rio Grande do Sul. Também é realizado uma vez por ano o Campeonato Brasileiro organizado pelo braço da terra da CBA – Confederação Brasileira de Automobilismo.

Nos EUA o esporte começou em 1983, quando a HONDA lançou um veículo chamado “Odissey” uma espécie de buguinho de lazer, o carro fez sucesso e foi sendo aperfeiçoado até chegar no kart Cross, conhecido lá como autocross categoria light.

À primeira vista parece moleza pilotar um carro desses, mas as aparências enganam! Começando que o câmbio igual ao de moto a primeira marcha é para frente e as outras para trás (ou ao inverso, dependendo do gosto do piloto), vira e mexe a visão fica prejudicada pela poeira ou pelo barro jogado pelo carro da frente. Muitas disputas, carros “driftando” (saindo de traseira) nas curvas, muita velocidade e o ronco dos motores animam os pilotos, equipes e a torcida. Todos os carros são bem reforçados e a estrutura tubular protege legal o piloto, que ainda pilota preso a um cinto de 4 ou 5 pontos.

As provas são disputadas geralmente em pistas de 1.000 metros de extensão e 8 metros de largura no mínimo. Um caminhão pipa hidrata a pista várias vezes no dia com intenção de baixar a poeira e compactar o solo.

Os carros atingem velocidades máxima de até 136 km/h (atingido na pista de Luís Eduardo Magalhães – Bahia) e lhe digo com propriedade, a sensação de velocidade é de mais de 200km/h, pois a altura do solo é baixa, a direção é direta sem caixa de direção e a baixa aderência da pista deixa tudo mais emocionante. As regras são praticamente as mesmas das demais categorias de automobilismo, mesmo porque as provas são subordinadas a CBA e as Federações Estaduais. As largadas são paradas e as baterias duram em média 15 minutos, sendo 3 baterias por etapa mais treino classificatório e treinos livres. Os carros são equipados com motores HONDA 250 cilindradas extraídos de motos de rua Twister, movidos a etanol e a preparação do motor é limitada no regulamento técnico.

Quanto custa?

A filiação nas Federações custa entre R$ 420,00 a R$ 750,00 pelo ano inteiro. A taxa de inscrição de cada etapa nos Estaduais vai de R$ 150,00 a R$ 400,00 depende do Estado. A manutenção do kart Cross fica em torno de R$ 300,00 mensais e um jogo de pneus chega a durar uma temporada inteira com R$ 700,00. Um kart Cross competitivo já pronto para disputar as corridas novo custa na faixa de R$ 15 a 20 mil, incluindo motor e algumas peças reservas, já um modelo usado fica na faixa de 9 a 13 mil, mas também se encontra modelos para iniciantes na faixa de 6 a 8 mil. Achou caro? Automobilismo é um esporte caro, uma temporada no kart incluindo 1 disputa nacional e 1 estadual não sai por menos de R$ 100 mil. E uma temporada na copa HB20 não sai por menos de R$ 250 mil reais e o carro é alugado!

Papo de piloto:

Felipe de Nadai, nascido em 1992 em Piracicaba – SP:

Desde pequeno junto com meu irmão Thiago e meus pais acompanhava as corridas aqui no ECPA (autódromo histórico da Velocidade na Terra). Era muita diversão com o grid sempre lotado e sempre meus pais e meu irmão estávamos na pista.

No final de 2008 após muita insistência eu e meu irmão ganhamos do nosso pai um kart (que era muito ruim, o mais barato) e assim começamos no final de 2008 participar das competições na categoria 135cc. Fomos trabalhando e melhorando o chassi até que em 2012 conquistamos o primeiro título paulista.

Após conquista compramos um chassi Loly e fomos para 250cc. Nos primeiros anos de 250cc não conseguimos ótimos resultados, mas em 2015 veio o primeiro título expressivo onde eu e meu irmão conquistamos o título e vice, respectivamente, da copa Cordeirópolis de kart Cross.

Em 2016 realizamos a troca dos dois chassis e com isso ficamos de fora de metade das corridas, mas após pegar todo equipamento novo aí foi só alegria, vitórias em cima de vitórias.

Em 2017 campeão paulista, em 2018 primeira participação no brasileiro e conquistamos título e vice, e também o paulista.

Em 2019 resolvemos arriscar, construir um chassi próprio e participar do brasileiro, mas infelizmente algumas coisas deram errada e não conseguimos ótimos resultados.

Para finalizar o ano participamos das 100 milhas de Apucarana ficando na segunda posição e em 2020 as perspectivas são ótimas.

 

Minha vida no automobilismo por Fernando Welter de Moura:

Quando criança aos 7 anos de idade não perdia uma corrida de F1, assistir o Chefe (Ayrton Senna) era a obrigação dominical mais prazerosa! Em 94 veio o acidente, mas a paixão pela F1 continuou com o também chefe Rubinho.

Junto com meu pai e meu irmão assistir todas as corridas e treinos da F1 sempre foi uma tradição! Até que nesse período foi realizado uma corrida de kart pelas ruas da minha querida cidade Jandaia do Sul, e conheci essas máquinas e o coração bateu forte.

Acompanhando muito todo o automobilismo desde então até que um dia o amigo, piloto e mecânico Leandro Delalibera construiu um kartcross.

Na minha primeira volta capotei, Ahhh com 16 anos de idade é uma ansiedade doida isso não podia parar até que juntei o dinheiro da mesada e alguns trabalhos e comprei meu primeiro kartcross.

Corri por 3 anos, fiz pole e vários podiums, mas a categoria enfraqueceu e acabei parando (nessa época fui fazer faculdade em outra cidade).

O tempo passou, mas sempre acompanhado o automobilismo de perto, minha esposa brinca que se tiver corrida de formigas em carros eu assisto.

Um dia estava num congresso dos agronegócios em São Paulo e conheci o piloto Miguel Páludo (Nascar e Porsche Cup) e o Cris da Pepper Sim simuladores e andei no porsche (fiz o 3ª tempo de todos que visitaram o stand) e a chama reascendeu.

Chegando de volta no Paraná fui atrás de comprar um kart e voltei a compertir, total realização estar acelerando novamente.

Em 2019 criei o Instagram @kartcrossparana e hoje trabalho no automobilismo como piloto e fomentador da nossa categoria e do automobilismo no geral.

O que mais admiro no kartcross é a amizade que existe entre os pilotos, aqui no Paraná todos se ajudam, é lindo de ver, numa corrida um empresta parafuso, chave, pneu até motor. O automobilismo me trouxe muitos amigos do Brasil e do exterior, espero que essa comunidade se fortalece e traga muita satisfação a todos nós.

No ano de 2019 a equipe @kartcrossparana junto com a @apukartcross realizou as 100 milhas de kartcross de Apucarana, a prova foi um sucesso tão grande que em 2020 a prova será transmitida ao vivo pelo YouTube e Facebook e contará com a cobertura já confirmada da emissora Bandeirantes de Televisão.

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