Com muito pesar que noticiamos o falecimento de:

Luiz Antonio dos Santos;

Santos é conhecido como Zito e sofria de um câncer na garganta, na manhã desta segunda-feira passou mal, o Samu foi acionado mas ele já se encontrava sem vida.

O velório deverá acontecer na Câmara Municipal de Vereadores de Jandaia do Sul, o cortejo ainda será confirmado.

Zito era casado com a Srª Zuleica e deixa 4 filhos, Lauro, Luiz (Luizinho), Elaine e Ediene, deixa 2 netas a Luiza e Ediene.

A Câmara de Vereadores de Jandaia do Sul realiza uma singela homenagem ao pioneiro de nosso município.

Zito” relata como foram os primeiros anos da cidade

“Quando vim para cá só tinha mato, tivemos de abrir a mata no facão e na foice. Deu muito trabalho. O meu caminhão foi o primeiro a existir por aqui, um Chevrolet 1941, com o qual vim de São Paulo”, conta.

Muitas pessoas já ouviram histórias sobre famílias de pioneiros que vieram de São Paulo para o interior do Paraná, a partir da década de 1940, com interesse em construir seus sonhos e melhorar de vida por meio do trabalho, na época, plantio do café e outras culturas. Uma dessas pessoas é Luiz Antonio dos Santos, hoje, com 90 anos, conhecido popularmente como “seu Zito”.

Nascido em 22 de junho de 1925, ele nasceu e viveu na cidade de São Luiz do Paraitinga (SP), com os pais, Antonio dos Santos Neto e Petronília Dias da Costa, e sete irmãos, antes de se mudar para Taubaté (SP). A mudança para Jandaia do Sul ocorreu oficialmente em 1944, após seu pai comprar uma propriedade com 450 alqueires na região da Estrada da Amizade. A família ficou em São Paulo, mas Zito veio morar com a irmã Laura e o cunhado Antenor. “Quando vim para cá só tinha mato, tivemos de abrir a mata no facão e na foice. Deu muito trabalho. O meu caminhão foi o primeiro a existir na cidade, um Chevrolet 1941, com o qual vim de São Paulo”, comenta.

Nessa época, seu Zito era solteiro, mas já namorava desde os 17 anos com Maria Zuleica de Alvarenga Santos, nascida em 1926, que vivia em Taubaté. Quando ele veio para o Norte do Paraná pela primeira vez, a namorada ficou com os pais na cidade paulista. Entre várias idas e vindas, os dois decidiram se casar. “O papai me disse assim: ‘se você quer se casar, vá para o Paraná’. Falei na hora que já estava vindo. Assim me casei com a patroa em Aparecida do Norte [SP] e vim para cá de vez quando eu tinha 20 anos e estamos prestes a completar 70 anos muito bem casados”, diz, sem esconder a felicidade e o amor pela esposa.

“Quando chegamos a Jandaia do Sul só tinham algumas casas, pouca gente morando por aqui. Eram 13 residências cobertas de telha e as outras 50 cobertas com pequenas tábuas”, explica o entrevistado, sobre a situação das moradias na época. “Todo mundo era muito pobre, fomos nós que começamos tudo, que iniciamos o desenvolvimento na região”, completa.

Ao trabalhar na cidade e por ser um dos únicos na região com ensino médio completo e curso de datilógrafo, conheceu muitas pessoas e conquistou o título de agente municipal. “Jandaia pertencia, junto com Marumbi, Kaloré, Jussara e outras cidades do Vale do Ivaí, ao município de Apucarana. Então o governo precisava de alguém para ser responsável por esses pontos que ainda não eram considerados cidades”, explica.

De 1948 a 1951, Zito tomou conta de Jandaia do Sul e região como agente municipal. De 1951 a 1955, foi o vereador mais votado no município de Apucarana, aos 23 anos. Jandaia do Sul deixou de ser distrito de Apucarana em 1952. Zito foi então o segundo prefeito da cidade pelo PSD (Partido Social Democrático), vencendo as eleições de 1956 e governando até 1960. Ele recebeu 3.116 votos. O outro candidato, Jorge Felipe da Silva, 540. Nessa mesma eleição, foram contabilizados 117 votos em branco e 78 nulos, totalizando 3.851 eleitores que participaram do pleito. Depois, atuou como vereador até 1964, ano em que deixou de ser ativo na política jandaiense e passou a tocar os seus negócios, como agricultor, principalmente no plantio de café e eucalipto. “O primeiro prefeito de Jandaia do Sul foi Lino Marchetti, depois eu e na sequência a cidade foi assumida por Salvador Valera Sanchez, que foi o terceiro prefeito”, diz.

Aos 23 anos, ele também já pilotava aviões. “Minha família sempre prezou muito pelo estudo, então acabei tirando carteira para pilotar aeronaves, entre outros diversos cursos que fiz”, ressalta Zito, sobre a importância da educação.

Ele cita que nesse período de primeiros anos de emancipação a cidade passou por grandes mudanças. “Foi durante o meu mandato que foram instalados telefones na cidade. Quem instalou foi um alemão que veio para cá só para realizar esse serviço. Também canalizamos água até uma grande caixa d’água. Depois, o Salvador [terceiro prefeito da cidade] finalizou a obra realizando a distribuição pelo município. O terreno onde está o Country Club de Jandaia do Sul fomos nós que doamos para a construção. Outro grande avanço tecnológico foi a energia elétrica. Jandaia tinha de puxar energia de Apucarana, então compramos um motor a diesel, que era o gerador da cidade. Ficava localizado onde atualmente é o escritório da Emater, bem ali onde tem um grande bloco de concreto na grama. Aquele bloco era um pedaço da parede do local onde abrigávamos o equipamento. Quem cuidava da máquina era um francês, que morreu trabalhando no local. Ele acabou encostando em um fio do motor e morreu eletrocutado. Eu que ajudei a retirar o corpo. A prefeitura também foi construída durante esse período.”

Algumas datas boas e ruins são inesquecíveis para ele. “Lembro-me até hoje de quando terminou a Segunda Guerra Mundial, no dia 8 de maio de 1945. Eu estava em Cornélio Procópio [PR], no aguardo de um trem para São Paulo, quando começaram a gritar: ‘a guerra acabou, a guerra acabou’. As pessoas tinham ouvido no rádio, era de manhãzinha quando a notícia se espalhou. Foi realmente muito emocionante. E uma lembrança ruim que tenho foi da morte de Getúlio Vargas, no dia 24 de agosto de 1954. Ouvi na rádio pela manhã que ele tinha cometido suicídio.”

Zito tem quatro filhos, Luiz dos Santos, delegado em Curitiba, Lauro dos Santos, médico em Minas Gerais, Ediene dos Santos, também moradora de Minas Gerais e médica e Elaine, professora aposentada e quem administra os negócios da família em Jandaia do Sul e região.

O que ele mais gosta de fazer é se exercitar. “O que eu mais gosto é de caminhar. Ando uma hora por dia, religiosamente. Até porque tenho que me manter em forma, senão como vou agradar a patroa”, brinca.

Ao ser questionado sobre o cenário atual da política brasileira, ele não esconde a insatisfação. “Na minha época, político não tinha nem salário direito, tínhamos cargos públicos, mas recebíamos muito pouco ou quase nada por isso. Os melhores presidentes que o Brasil já teve foram Juscelino Kubitschek e Fernando Henrique Cardoso. Em minha opinião, a política, hoje em dia, é praticada visando ao lucro próprio, e não ao bem comum. Nunca tivemos tantos escândalos de corrupção como hoje. O PT está acabando com o país.”

Reportagem publicada pelo Portal Agora em 2015.