O prefeito de Cambira, Emerson Toledo Pires (PROS), publicou na terça-feira (23) um decreto proibindo a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) de aplicar o reajuste de 12,13% nas contas de água e esgoto dos moradores do município. O prefeito considerou o reajuste como “abusivo” e pede que outros municípios da região sigam o mesmo caminho.

O decreto impede que a companhia aplique o reajuste tarifário sem a prévia homologação da própria prefeitura. Desta forma, o município precisa referendar o aumento antes que ele seja aplicado.O prefeito, que esteve ontem em Curitiba, acredita que a medida poderá ser discutida na Justiça, mas entende que a decisão é necessária. “Acredito que a Sanepar irá buscar meios para derrubar esta medida judicialmente, vai questionar na Justiça a validade ou não da ação. Mas entendo que o reajuste é muito acima do razoável e que a Prefeitura está no seu direito”, ressalta.

Segundo ele, outras prefeituras deveriam fazer o mesmo. “Os prefeitos deveriam se unir, com o intuito de barrar este reajuste. Precisamos fazer alguma coisa. Não podemos simplesmente aceitar este aumento”, destaca.Ele lembra que pelo menos outros dois municípios do Paraná já tomaram a mesma atitude. No fim da semana passada, as cidades de Paranavaí e de Bela Vista do Paraíso elaboraram documentos semelhantes.

ALEP
O diretor-presidente da Sanepar, Claudio Stabile, e o presidente em exercício da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Infraestrutura do Paraná (Agepar), João Vicente, participaram de reunião na manhã de ontem, na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), para falar aos deputados sobre o reajuste de 12,13% na tarifa de água.

O encontro foi coordenado pelo líder do Governo, deputado Hussein Bakri (PSD), atendendo pedido formulado em Plenário pelos deputados Homero Marchese (PROS) e Mabel Canto (PSC).Stabile explicou que o reajuste é composto pela inflação dos custos do setor de saneamento, medida de acordo com indexadores variados (IPCA, IGPM e INPC) mais a terceira parcela do diferimento aprovado na revisão tarifária de 2017, atualizada pela taxa Selic e dividida em oito anos.