O Presidente dos EUA, Donald Trump

A líder da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos (EUA), Nancy Pelosi, confirmou formalmente o início do processo de ‘impeachment’ (destituição) do Presidente Donald Trump. “O Presidente tem de ser responsabilizado”, afirmou, depois de sair de uma uma reunião com os congressistas democratas no Capitólio, rematando que “ninguém está acima da lei”.

Segundo noticiou o Observador, a medida anunciada por Nancy Pelosi – que afirmou ainda que “as ações do Presidente violaram gravemente a Constituição” – surge como um desenvolvimento surpreendente numa “novela” que já se estendia há alguns meses.

Nos últimos meses, muitos democratas hesitaram em avançar para uma medida tão radical como o ‘impeachment’, mas o novo escândalo ligado a alegadas pressões junto da Ucrânia provocou uma avalanche de pedidos que Nancy Pelosi decidiu ouvir e concretizar.

No seu anúncio formal, explicou que as alegadas ações de Donald Trump e a recusa da sua administração em ceder detalhes sobre o sucedido junto do Congresso deixaram a Câmara dos Representantes sem alternativa.

Entretanto Donald Trump já reagiu, através da sua conta de Twitter, dizendo apenas: “Eles nem sequer leram as transcrições. É uma caça às bruxas total!”. Lançando logo de seguida uma nova publicação, onde escreveu: “Assédio Presidencial!”. Sem perder tempo, publicou um vídeo onde tenta virar o ‘impeachment’ a seu favor, defendendo que esta “é a única forma” dos democratas o conseguirem ganhar.

Também a campanha “Trump / Pence 2020” já reagiu oficialmente, através de Brad Parscale, o responsável por este movimento eleitoral. O mesmo divulgou um comunicado através do Twitter onde afirma que “a estratégia mal orientada dos democratas em perseguir o ‘impeachment’ serve para apaziguar a sua base raivosa, extrema e esquerdista. Contudo, vai apenas servir para da alento os apoiantes do Presidente Trump e criar uma vitória esmagadora para o Presidente”.

Na comunicação ao país, Nancy Pelosi não poupou palavras ao classificar as ações de Trump como “uma traição ao seu juramento, à segurança nacional e à integridade das eleições”. Apesar de se ter optado por este caminho ainda não se sabe ao certo o que poderá mudar.

Guardian explicou que as investigações sobre o assunto vão prosseguir da mesma forma, tendo apenas como diferença o facto de estarem sob o “guarda-chuva” de uma investigação formal de ‘impeachment’.

As reações a este pedido já iniciaram e uma das primeiras veio do congressista Al Green, que começou a pedir o afastamento de Donald Trump quatro meses depois da sua tomada de posse, depois de o Presidente ter afastado James Comey da liderança do FBI. “Fui vingado. Isto começa a ser guiado pela história. Os acontecimentos tomaram controlo”, lê-se numa publicação no Twitterpartilhada pelo Jornalista da FOX Chad Pergram.

Também do lado dos republicanos já se soube a opinião de Kevin McCarthy, que disse que Nancy Pelosi “não fala em nome de toda a América”. “O nosso trabalho é legislar, não continuar a investigar”, afirmou este representante do estado da Califórnia, acrescentando ainda que a decisão “não muda nada”.

O lider do Senado, Mitch McConnell, tambem já expressou a sua opinião, afirmando no Twitter que, com o ‘impeachment’, Nancy Pelosi e os democratas estão atrás de uma “conclusão predeterminada”. Se o Congresso seguir em frente com o ‘impeachment’, Mitch McConnell terá de presidir ao julgamento no Senado.

Para o afastamento ser confirmado seria preciso ter dois terços dos senadores a votar nesse sentido, algo que, segundo o Observador, implicaria que 20 republicanos votassem contra o Presidente da sua cor partidária.

Em toda a história dos EUA nunca houve um Presidente a ser removido do cargo através de um ‘impeachment’. Segundo o Guardian, só dois governantes enfrentaram esta medida, Bill Clinton em 1998 e Andrew Johnson em 1868, tendo ambos sido absolvidos. Richard Nixon demitiu-se em 1974, perante a iminência de um inquérito motivado pelo caso Watergate em que a sua condenação era quase certa.

A motivação deste ‘impeachment’ prende-se com o recente escândalo ligado à Ucrânia, que dá conta de uma alegada pressão de Donald Trump junto do Presidente Volodymyr Zelenski para que este lançasse uma investigação oficial à empresa do filho de Joe Biden (que opera nesse país do leste europeu), em troca de financiamento e apoio militar.

O Presidente dos EUA admitiu na segunda-feira ter falado do antigo vice-Presidente Joe Biden e do seu filho Hunter Biden num telefonema com o Presidente da Ucrânia, caso que está a ser usado como prova de tentativa de pressão sobre um líder estrangeiro.

De acordo com o Washington Post, os responsáveis pelo congelamento da ajuda financeira receberam indicações para dizer aos deputados que a decisão estava associada a “um processo entre organismos” e para não fornecer mais informações.

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy

Donald Trump negou ter pressionado a Ucrânia para prejudicar o seu rival político Joe Biden, afastando a possibilidade de ser dado início a um processo de ‘impeachment’, apesar dos apelos da oposição democrata. “Não pressiono a Ucrânia”, disse Donald Trump à margem da Assembleia Geral da ONU, que teve esta terça-feira início em Nova Iorque.

“Joe Biden e o seu filho são corruptos”, acusou, voltando a referir que existem rumores sobre um alegado caso de corrupção na Ucrânia ligado à empresa onde Hunter Biden trabalha.

Embora tenha admitido ter feito um telefonema para o Presidente ucraniano em 25 de julho, no qual falou sobre este caso, garantiu que a conversa teve um tom “congratulatório” e focou-se nos problemas da corrupção nos países da Europa de Leste.

A oposição suspeita, no entanto, que Donald Trump tenha aproveitado a sua posição para pressionar Volodymyr Zelenski a investigar Joe Biden, usando a ajuda militar que é dada à Ucrânia como forma de pressão.

De acordo com New York Times, Donald Trump já autorizou que fossem reveladas as transcrições da chamada que fez com o Presidente Volodymyr Zelenski.

ZAP